Ontem foi um dia e tanto, comemorações, bandeiras do Brasil estendidas nas janelas, algumas pessoas na rua usando camisas que expressavam seus sentimentos "Eu amo o Rio", muita gente saindo para festejar e, imaginem vocês, gente pra estragar a festa dessas pessoas.
Que chato. Estava voltando da faculdade, depois de correr muito atrás de um ônibus, pois o próximo só teria por volta de meia hora depois, isso aguardando num ponto escuro, com pouco movimento, quase sozinha. Daí então ouço uma conversa distante, mas a pessoa que contava estava a história estava muito desesperada que seu tom de voz era alto, eu senti até como um tom de revolta, propositalmente ela queria que todos ouvissem, queria sim. Essa pessoa se encontrava nesse estado, pois perdeu seu celular de "não sei quantos reais" parcelados em "não sei quantas vezes", ou melhor, não perdeu, foi roubada.
Alguns minutos depois, depois do motorista acelerar o ônibus e frear bruscamente fazendo com que um passageiro idoso se desequilibrasse e caísse, por sorte caiu sentado no banco, eis que vejo pela janela, aquela mesma janela que todo dia eu avisto alguém, de um ônibus ao lado, jogando lixo pela janela, uma criança numa praça com uma espécie de garrafa na mão e descalça, um idoso procurando algo na lixeira laranja que talvez tenha perdido e o policial na esquina com um daqueles carrinhos parecido com aqueles utilizados pelos que praticam golf para locomoção. Pois bem, eis que nessa janelinha meus olhos observam uma cena estranha, um adolescente, de roupas simples, mas que parecia conversar, normalmente, com outra adolescente (essa não tinha as roupas tão simples), até ele resolver puxar a bolsa dela e sair correndo, como quem recuperava algum troféu. Puxa, eu fiquei mesmo assustada. Quando desci do ônibus eu olhava rapidamente para os lados, não sei explicar o porquê na verdade, mas eu podia até me sentir mais segura e vigiada, para qualquer emergência.
Então eu fiquei lá, em outro ponto de ônibus, esse um pouco mais movimentado. Um pouco não. Desse ponto eu podia ouvir música, pessoas conversando alto e festejando, e vendedores ambulantes correndo com suas mercadorias de uma Kombi branca com homens de fardas amarronzadas. Quando, no mesmo instante, um jovem apareceu ao meu lado, de cara triste e bem assustado (contraditoriamente nesse dia tinha muita gente feliz mas, ao mesmo tempo, assustada). Até que ele começou a contar o que ocorrera com ele. Ou ele estava embriagado, ou ele não tinha amigo para conversar, ou.... Foram alguns minutos até eu ouvir e, novamente, se assustar. O rapaz foi parado por outro rapaz que o conduziu até o fundo do ônibus e perguntou onde o outro morava que mentiu porque ficou com medo e achou que tivesse perdido que viu que já tinha perdido tudo até que perdeu tudo porque o rapaz que o parara levou suas coisas dizendo que ele tinha perdido, perdido, perdido. Ufa! O pior é que ele dizia: "Pô, tava ali com meus amigos comemorando, pá...aí chegou esse muleque e levou minhas parada toda."
Pior que por fim eu acabei correndo mais um pouco, atrás de outro ônibus, que por sua vez quase atropelou um homem de aparência não muito sóbria que atravessou o sinal na hora errada. Se vovó ouvisse tudo isso me diria para tomar banho de água com sal grosso. Se vovô ouvisse tudo isso confirmaria a hipótese do mundo acabar em 2012.





